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Crianças vazias completas infindas. (ponto)
Eclodir é cor de medida - vou respirar - meço três minutos e bebo um copo d'água - a primeira pessoa do imperativo matou o verbo!
terça-feira, maio 25, 2004
Dia de São Dicino da terra livre
Pega teu jagunço,
Duas malas
E um punhado de dinheiro.
Parti daqui, parte d'agora.
Parti que partir é divino,
É terceira conjugação.
É ato bonito de gentio forte,
Pois fácil e descanso partiram antes.
No entanto, há três dúzias
de palavras que querem ir contigo.
Parti para não sei que lado;
Sei que é longe
E que não é poraqui.
Vai que a luz é velha e você não.
Beleciedade se apresenta:
Diz que te espera lá no não sei onde.
Que é para chegar antes do não sei quando.
Então parti logo,
Que eu conjugo sozinho o verbo.
E faço sozinho a rima
Com despedida
Que vão combinar eternamente...
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1ª pessoas do Imperativo
Fazo eu.
eu tudo para mim.
mim não existe.
mas fazo eu existir.
Fazo o que tem deser feito.
sendo o feito feio ou bonito.
meus comandos intraorgânicos.
acumulam a ordem do eu imperativo.
E o eu fazo o que o eu quero.
que interferência de mim não há de haver.
há de haver ação do eu.
pois fazo o que tem de fazer.
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sábado, maio 15, 2004
Gana gandaia
Bom dia homens da lama,
De olhar calvo,
Notórios deuses,
Dessa sociedade profana!
Supicazes homens, infames eternos.
Em seu púlpito maldito,
Pelos postigos do sistema,
Zombam de nossas mediucres vidas.
Ateiam fogo na verdade
Pois verdade alguma os agrada.
E suas chagas plageiam agora:
Não se cura ao passado...
E se num penoso dia
A morte chega,
Não morrem: pendam-se ao pélago
E suicidam-na!
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Confusa seja
Esperança é coisa que dá que nem febre,
não sai, se pega e é chato muito.
É a triteza mais íntima do homem,
e suspeito da mulher também.
São tantas tristezas íntimas e silenciosas,
que suspeito que são lágrimas e que
a esperança é o pranto completo.
Então chore. Pois o capitão-do-mato
disse que a tristeza é beleza.
Suspeito...
Que tristeza tem a beleza?
Quer ela ansie por pranto íntimo,
que seja público o sorriso então.
Louvo a esperança, que é descrente
nela mesma. Crê apenas no belo.
Mas no belo todos cremos sem problemas.
Crê no problema, que não é belo, nem chora,
para provar ser a descrença só teoria.
E conclua o poema aos berros, para mostrar
se belo o silêncio...
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terça-feira, maio 11, 2004
Direitos
Penso em dizer
Tudo igualzinho
Àquilo que eu
Nunca disse antes.
Agir de forma
Meio sem forma
Na convicção De fazer algo lindo.
Pintar um apedra,
A pedra do meio do caminho,
De anil suave
E deixar umas rimas nela.
Decorar um dicionário
Para mais tarde,
Em meu mérito,
Editar outro dicionário.
Pintar uma música,
Tocar um verso.
Deixar em anexo no meu quadro escrito:
"Fui eu que fiz..."
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Poema Último de Novembro
Que vontade tosca
e torta, pra esquerda, essa.
Nasceu depois de crescer;
só se esqueceu de também findar.
Oh! que desperdício injusto.
Vejo idéias partindo-se em mil partes iguais,
todas encaminhadas para o leprosário
que ostentas em teus bolsos!...
Deveriam é construir calças sem bolsos.
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segunda-feira, maio 10, 2004
Casaco de Pele
Esse pulôver de sensações as mais púlpitas:
Regicidas...
Os reis eram meus heróis,
Meus heróis eram muitos.
Aboli o algodão de minhas posibilidades:
Fiquei nú!
Só dos algodoais é que vinham as verdades.
E as verdades são tudo, afinal,
O que se faz sem elas?
Se acaso houver resposta, (e há) não a use, há perigo!
Use tuas formas e veste sensibilidade,
Que o mundo é todo algodão,
E os pulôveres são todos nús.
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domingo, maio 09, 2004
Vontade
Não queria que minhas carnes fossem letra,
Eu todo livro!
Análizes de olhos famintos
Que em mim achariam, se o fosse, sua ceia.
Meus entendimentos, não gosto que vós os entendam
De cem maneiras de mil faces cada.
Tenho um sentido só. O texto é que furta
Parte infinda de dentro do infinito.
E esse, não se faz ficar menor por isso.
Meu sentido é orgânico, sou organismo vivíssimo,
De água e carne. Quase que só carne.
Se houvesse ao menos algumas letras, poucas,
Suforaria algumas outras imperfeições que gritam! berram!
Me cerco de palavras de proteção pois temo.
Coisas vivas, mortas, sem forma e coisas erros de escrita temo.
Sou que quase todo medo.
Minhas pernas até tremem de frio e medo.
Tremem por desespero. Medo e frio. Há lágrimas que saem tremidas.
Os limites foram tomar café,
Estamos livres até o fim da idéia.
Então louvemos à nosa fé ateia,
Que cospe e furta o sentido de todas as outras fés.
Vivamos da terra, barrenta que seja,
Que haja vermes nela, e que morram
Com o veneno por de dentro do suor.
E de letra, carne, medo e frio,
(duas lágrimas, um suor e uma prece)
A idéia sufoca dentro dos limites
Que voltaram indiguinados com nossa festa escondida.
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sábado, maio 08, 2004
Aqui há um poema que não houve
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quinta-feira, maio 06, 2004
Crianças vazias crescem vazias se tornam vazias a cada vazio que injetam pelos olhos
E brincam por vazios que se desfazem e reaparecem em intervalos regulares
Dois a dois quatro a quatro
Os intervalos riem de si mesmos
Crianças vazias se desfazem do vazio e se tornam humanas
Humanos se humanizam a cada ato suicida
E continuam a tornar-se em cada palavra
Das palavras nascem novas crianças
O mundo se superpopula
De crianças de homens de vazios
Mas num vazio enorme há um vazio especial
Não existe nada nele
Nasce uma criança completa
Não há mais palavra
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