Eclodir é cor de medida - vou respirar - meço três minutos e bebo um copo d'água - a primeira pessoa do imperativo matou o verbo!
terça-feira, novembro 30, 2004
Anceios e coisas lamentadas
Que esse teu pranto de sereníssimas confusões
de serrotes martelos e cinemas
não se sujem no manto em que se aquecem
pois mais sujo que os cheiros descrevem
E que descrissão seu forte e sua pena
mais pena que porte
mais porte que pena
quase que só os dois
quase que um mais que dois
quase que não estampa compreenção
mas já tem você sua compreenção selada
caçaa aí dentro que achaa
Sono sono
Durma
Quando fores à Brasília me chamas?
Me dá um pedaço?
Não?
Não!
Não.
"Não"
Não
Et cetera (reticências)
várias caras caras coloridas coloridas portas portas fechadas fechadas janelas
janelas da rua rua rua morta morta morta
É puntiforme ambigüo dependente
declama a independência
pega seu cavalo
entra num quadro
que se sozinho pendura numa parede
e vai trocando de paredes
enquanto houver parede vazia
Minha dúvida se faz no plural
que pensa que pode tudo
e sabe que eu sei que pode tudo
que é livre que não é parede que não é quadro
Arquejou de relance e foi ao bosque
já volta
teve problemas e teve que lá ir
tem que cá voltar também
Eu espero
1
2
3
4
5
Não espero mais
Tão me acusando de vagabundo o dia inteiro,
transformando minha trilha num chiqueiro,
pondo lenha no forno do mal cheiro.
Caraca, e eu só queria ver vasco e flamengo.
Mas daí foi tudo rimando em eiro
e o cruzeiro foi campeão brasileiro.
E continuei vagabundeando a noite inteira,
e sem querer ainda quebrei a rima.
Pega teu jagunço,
Duas malas
E um punhado de dinheiro.
Parti daqui, parte d'agora.
Parti que partir é divino,
É terceira conjugação.
É ato bonito de gentio forte,
Pois fácil e descanso partiram antes.
No entanto, há três dúzias
de palavras que querem ir contigo.
Parti para não sei que lado;
Sei que é longe
E que não é poraqui.
Vai que a luz é velha e você não.
Beleciedade se apresenta:
Diz que te espera lá no não sei onde.
Que é para chegar antes do não sei quando.
Então parti logo,
Que eu conjugo sozinho o verbo.
E faço sozinho a rima
Com despedida
Que vão combinar eternamente...
Esperança é coisa que dá que nem febre,
não sai, se pega e é chato muito.
É a triteza mais íntima do homem,
e suspeito da mulher também.
São tantas tristezas íntimas e silenciosas,
que suspeito que são lágrimas e que
a esperança é o pranto completo.
Então chore. Pois o capitão-do-mato
disse que a tristeza é beleza.
Suspeito...
Que tristeza tem a beleza?
Quer ela ansie por pranto íntimo,
que seja público o sorriso então.
Louvo a esperança, que é descrente
nela mesma. Crê apenas no belo.
Mas no belo todos cremos sem problemas.
Crê no problema, que não é belo, nem chora,
para provar ser a descrença só teoria.
E conclua o poema aos berros, para mostrar
se belo o silêncio...
Esse pulôver de sensações as mais púlpitas:
Regicidas...
Os reis eram meus heróis,
Meus heróis eram muitos.
Aboli o algodão de minhas posibilidades:
Fiquei nú!
Só dos algodoais é que vinham as verdades.
E as verdades são tudo, afinal,
O que se faz sem elas?
Se acaso houver resposta, (e há) não a use, há perigo!
Use tuas formas e veste sensibilidade,
Que o mundo é todo algodão,
E os pulôveres são todos nús.
Não queria que minhas carnes fossem letra,
Eu todo livro!
Análizes de olhos famintos
Que em mim achariam, se o fosse, sua ceia.
Meus entendimentos, não gosto que vós os entendam
De cem maneiras de mil faces cada.
Tenho um sentido só. O texto é que furta
Parte infinda de dentro do infinito.
E esse, não se faz ficar menor por isso.
Meu sentido é orgânico, sou organismo vivíssimo,
De água e carne. Quase que só carne.
Se houvesse ao menos algumas letras, poucas,
Suforaria algumas outras imperfeições que gritam! berram!
Me cerco de palavras de proteção pois temo.
Coisas vivas, mortas, sem forma e coisas erros de escrita temo.
Sou que quase todo medo.
Minhas pernas até tremem de frio e medo.
Tremem por desespero. Medo e frio. Há lágrimas que saem tremidas.
Os limites foram tomar café,
Estamos livres até o fim da idéia.
Então louvemos à nosa fé ateia,
Que cospe e furta o sentido de todas as outras fés.
Vivamos da terra, barrenta que seja,
Que haja vermes nela, e que morram
Com o veneno por de dentro do suor.
E de letra, carne, medo e frio,
(duas lágrimas, um suor e uma prece)
A idéia sufoca dentro dos limites
Que voltaram indiguinados com nossa festa escondida.